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Igbeiyawo – O Casamento Na Religião dos Òrìsàs

Sábado, 08 Junho 2013

Igbeiyawo – O Casamento Na Religião dos Òrìsàs

No último mês de maio, o Babalòrìsà do Terreiro de Òsùmàrè – Baba Pecê, locomove-se para São Paulo, para celebrar o Igbeiyawo (casamento) da Ìyálòrìsà do Ilé Alákétu Asè Ibùalámo, Gabriela de Omolu e seu marido, Alagbé Fábio de Airá, bem como, do Opotun Vinicius e sua esposa, a Ìyámoro Michelli.

Os rituais foram iniciados ainda pela manhã, quando a Agba Walquíria de Òsun, colheu as ervas sagradas para a realização do banho das noivas. Esse banho especial, preparado com as folhas do amor e união, tem como objetivo aproximar ainda mais o casal, com votos de uma união estável, duradoura e fiel. Durante essa etapa, as noivas receberam conselhos e orientações da Agba, que as relatou suas experiências. Feito isso, foram realizadas oferendas rogando aos Deuses a felicidade dos casais e, pedindo harmonia e regozijo na cerimônia pública.

Dentre os muitos rituais que antecederam o Igbeiyawo, cada casal realizou o plantio de uma muda de árvore (nessa ocasião, um Baobá e um Arabá - ambos de origem africana, que tem como sua principal característica a longevidade). Nesse momento, Baba Pecê aludiu o gesto com a vida de um casal:

"O futuro de vocês é como o futuro dessas mudas, hoje estão sendo plantadas, mas para que elas se tornem árvores frondosas, duradouras e com frutos saudáveis, é necessário que vocês as reguem, as cultivem, cuidem delas com amor e carinho. Assim será com o casamento de vocês. Hoje uma união está sendo formada diante da religião de vocês, mas para que essa união seja duradoura, vocês precisam cuidar um do outro, alimentar esse relacionamento com carinho, amor, como se fosse uma muda que vocês desejam que cresça. Dessa forma, essa união será forte, estável, duradoura e com frutos".

Já no início da noite, aconteceu a cerimônia pública. Os noivos receberam dos seus padrinhos e mais velhos, conselhos para uma vida a dois, entrando ao barracão, ao som de um antigo cântico yorùbá que versa a alegria da comunidade naquele dia. Logo após, já ao som de cânticos específicos do Igbeiyawo, entraram as noivas, rodeadas pelas mulheres da comunidade-terreiro.

Baba Pecê iniciou o Igbeiyawo narrando ser aquele um momento muito especial, pois aqueles casais estavam celebrando uma união conforme ditames da religião dos Òrìsàs, reafirmando o Candomblé como autossuficiente, não havendo dessa forma, razão alguma para que cerimônias de casamento ou batizado do nosso povo sejam realizadas em outros segmentos religiosos.

Nitidamente emocionado, Baba Pecê realizou por meio do Obì, a consulta aos Òrìsàs, rogando novamente aos Deuses e Ancestrais a benção aos noivos, que partilharam entre si, alguns elementos transformadores e condutores de asè, que na cultura dos Òrìsàs simbolizam a vida longa, alegria, união, prosperidade e, sobretudo, o amor.

Os noivos receberam ainda o Ileke amarrado ao braço, que simboliza a união do casal, bem como, a certidão de casamento, que atesta o efeito do casamento à luz da lei. Após a cerimônia religiosa, os casais receberam as visitam para um jantar e samba de roda, contagiando todos que lá estavam.

Para Leandro Dias, Baba Egbé do Terreiro de Òsùmàrè e, padrinho dos noivos, cerimônias como essa são de suma importância para o Candomblé, pois o reafirma como religião independente que é:

"Estou muito feliz por ver dois casais formados por pessoas íntegras, que nasceram e se criaram no Candomblé, realizarem seu casamento dentro da religião que abraçaram para a vida. Como disse meu Babalòrìsà, Pai Pecê, no Candomblé existe casamento (igbeiyawo), batizado (ikomojade) e muitas outras cerimônias, com seus rituais, rezas, cânticos, etc. Nossa religião é bela, repleta de rituais que precisam ser abraçados pelo nosso povo. A decisão dos noivos em casar na religião dos Òrìsà, deve ser espelhada".

"Foi a primeira vez que saí de Salvador para realizar esse tipo de cerimônia e fiquei muito feliz com o convite. Aqui no Terreiro de Òsùmàrè já realizei outros casamentos, todos celebrados conforme reza o Candomblé. Para minha felicidade e dos casais que realizei o Igbeiyawo, todos vivem bem, em harmonia e com uma união duradoura, com a minha bênção e com a bênção dos Òrìsàs", relata Pai Pecê.

O Babalòrìsà do Terreiro de Òsùmàrè lembra ainda: "Quando realizo um Igbeiyawo, estou realizando um casamento religioso com efeito civil, reconhecido nos termos da lei. Isso é algo sério, que deve ser respeitado e, principalmente, reconhecimento entre o nosso povo. Eu desejo à Gabriela, Fábio, Vinicius e Michelli, uma vida longa, próspera, com muito amor e saúde. Que essa união seja grandiosa como o Arabá e Baobá que eles plantaram".

Terreiro de Òsùmàrè