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Conheça a Casa de Oxumarê

O Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó, conhecido como Casa de Òsùmàrè, é um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia.

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Apresentação

A história da Casa de Òsùmàrè remete à época da formação do candomblé no Brasil. A sua origem remonta ao início do século XIX e foi marcada pela luta e resistência de africanos escravizados que, obrigados a abandonarem suas terras e laços familiares, não renunciaram à sua cultura e fé. Seu fundador Bàbá Tàlábí, oriundo da antiga cidade Kpeyin Vedji, localizada a noroeste de Abomey, aportou em Salvador em 1795 na condição de escravizado. Foi um sacerdote com grande propriedade para introduzir e difundir o culto aos Òrìsà no Brasil, por pertencer a uma das mais relevantes famílias de Culto à Sakpata (Ajunsún), na África.

Após curar seu senhor através da ciência Yorùbá, passa a viver como liberto e se dedica ao comércio iniciando trocas entre a capital e o recôncavo baiano. Por volta de 1820, na Cidade de Cachoeira, Bàbá Tàlábí ajuda a fundar o culto a Ajunsún no calundu do Obi Tedó (“fundação da família”). Este local tornar-se-ia a referência primordial da Casa de Òsùmàrè no Brasil. Ali outros negros escravizados de diferentes etnias também compartilharam as suas tradições participando da gênese da tradição religiosa da Casa de Òsùmàrè. Anos mais tarde em 1836, Bàbá Tàlábí, com o intuito de consolidar as bases do culto a Ajunsún na Bahia, adquire sua primeira propriedade na Rua das Grades de Ferros, em Salvador. Este local, além de ser um espaço dedicado à religiosidade, também deu origem a uma irmandade com características conventuais, onde os filhos e filhas de santo passam residir permanentemente. Conforme consta dos registros da época, Bàbá Tàlábí comprava a liberdade de seus filhos de santo, respondendo legalmente por eles. Estes passavam a viver como libertos, trabalhavam e ajudavam comprar a alforria de outros escravizados agregando-os a família de Asè.

Na sua época, Bàbá Tàlábí foi um dos maiores responsáveis pela manutenção da cultura e religiosidade africana no Brasil. Ele possuía um estabelecimento no Mercado de Santa Barbara, em Salvador, onde vendia dendê e outros produtos utilizados no culto aos Orìsàs que importava do continente africano. Viajando frequentemente à África com finalidade de abastecer sua loja, aproveitava para renovar os seus conhecimentos religiosos, chegando a trazer sacerdotes africanos para enriquecer o culto às divindades na Casa Òsùmàrè e na Bahia. Em 13 de outubro de 1845, Bàbá Tàlábí adquire um novo imóvel, desta vez uma roça, na Cruz do Cosme, solidificando um templo que se tornaria um dos símbolos de resistência do povo negro da Bahia.

O sucessor de Bàbá Tàlábí, Bàbá Salako assume o comando da Casa Òsùmàrè, em 1866, com os mesmo princípios: reconstrução familiar e resgate religioso para os africanos e seus descendentes. Bàbá Salako tornou-se também muito influente, destacando-se por seu ativismo político, além de dar continuidade aos negócios comercias de seu Bàbálòrìsà. Em seu tempo tornou-se uma eminente personalidade de Cachoeira e Salvador, atuando energicamente na campanha abolicionista. Foi presidente da Sociedade Montepio dos Artistas, sua mãe e suas irmãs fundaram a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e seu irmão Zé do Brechó, presidiu a Irmandade dos Nagôs. Na gestão de Bàbá Salako a Casa de Òsùmàrè deu seus primeiros e passos na luta política pela conquista dos primeiros direitos do povo negro. Foi também durante a sua gestão que a Casa de Òsùmàrè efetua uma nova migração do seu asé, desta vez para uma casa na Rua da Lamma, no atual bairro do Garcia. Existe um registro policial da época que descreve uma batida policial na roça da Cruz do Cosme, durante a festa do inhame novo. Acredita-se que estas batidas poderão ter-se intensificado com o desenvolvimento do perímetro urbano no eixo da região da Liberdade, o que poderá ter motivado uma transferência do terreiro para o outro lado da cidade.

Conforme registros dos jornais da época, após o falecimento de Bàbá Salako, intensificaram-se as perseguições à Casa de Òsùmàrè. No dia 20 de abril de 1904, dia do arremate do segundo asésé de Bàbá Salakó, o seu sucessor, Antônio Manoel Bonfim, e seus filhos de santo são presos e conduzidos à delegacia por descumprimento da ordem policial de cessar imediatamente com o candomblé que estrugia durante dias sem parar. Contudo, não ficaram detidos por muitos dias, para perpetuar o terreiro, em 1904, Babá Antônio é obrigado a migrar o terreiro para o local onde se encontra até os dias atuais. A sua gestão foi marcada por uma forte resistência, pois, mesmo assentando o terreiro no topo de uma colina com densa vegetação para ocultar o templo, as batidas policias continuaram fazendo parte do cotidiano da Casa de Òsùmàrè. Por intermédio de seu conhecimento religioso Babá Antônio intervia nos mais diversos problemas e curava muitas enfermidades por meio da medicina africana. Diversos artigos em periódicos da época apontam Seu Antonio de Òsùmàrè como um dos maiores curandeiros da Bahia. De fato, Bàbá Antônio deixou um rico legado à Casa de Òsùmàrè sobre o conhecimento do uso medicinal e liturgico das ervas. Bàbá Antônio também foi o responsável em implantar o culto ao Òrìsà Yèwá no Brasil, iniciando Maria das Mercês para esta divindade, sendo que antes dela não havia registro de pessoa iniciada para este Òrìsà.
Em 1927, Maria das Mercês, conhecida como Mãe Cotinha de Yèwá, ascende à posição máxima no terreiro, fazendo parte do núcleo de mulheres influentes, conhecidas como Negras do Partido Alto, atuava na articulação de defesa e liberdade dos negros. Mãe Cotinha iniciou no candomblé mais de uma centena de filhas de santo, que mais tarde viajaram aos mais diversos Estados e tornaram-se Ìyálòrìsàs e Babàlòrìsàs, ramificando a Casa de Òsùmàrè pelo país.

Mãe Cotinha deu início à era matriarcal na Casa de Osùmàrè, tendo como sua sucessora a saudosa Ìyálòrìsà Simplícia Brasília da Encarnação. Ìyá Simplícia, como era popularmente conhecida, foi uma mulher muito batalhadora e protetora de suas filhas de santo, não permitindo que fossem exploradas pela elite racista da época. Para garantir que suas filhas de santo tivessem seus sustentos, ensinava-as a produzir os típicos quitutes baianos ao mesmo tempo em que proporcionava condições para que elas se tornassem donas de seus próprios negócios, exigindo apenas que frequentassem a escola.

A bondade e o carisma de Mãe Simplícia proporcionavam-lhe amizades nas mais diversas esferas da sociedade. Assim em 1952, foi que ela tomou conhecimento que o presidente Getúlio Vargas, juntamente com o governador Régis Pacheco, o senador Assis Chateubriand e o vice-presidente Café Filho, iriam inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó, no sertão da Bahia. Diante desta informação, articulou-se para realizar a recepção para o Presidente e sua comitiva, com o intuito de denunciar as perseguições, principalmente policiais, que o Candomblé sofria a época. Embora a Casa de Òsùmàrè já não fosse mais vítima de abordagens policiais, em virtude do prestígio de Mãe Simplícia, ela indignava-se com a obrigatoriedade de obtenção de uma dispendiosa licença na Delegacia de Jogos e Costumes para que os terreiros pudessem realizar suas funções religiosas.

Sete anos após do falecimento de Mãe Simplícia, sua filha biológica, Nilzete Austricliano da Encarnação, em 1974, toma posse como Ìyálòrìsà da Casa de Osùmàrè. A sua gestão foi marcada por sua doçura na liderança da comunidade e forte determinação em assegurar a propriedade do terreiro que sofria forte especulação imobiliária. Ìyá Nilzete de Yemojá trabalhou arduamente para pagar cobranças indevidas referentes à propriedade do terreiro. Em 1988, lutaram com veemência para impedir a desapropriação das terras do Terreiro, que seriam tomadas para construção de uma passarela para pedestres na Avenida Vasco da Gama, visando interligar o bairro da Federação com o bairro do Engenho Velho de Brotas. A construção idealizada pela prefeitura iria apropriar-se de uma grande área da Casa de Òsùmàrè, destruindo a fonte de água – elementar para o culto aos Òrìsà – e a árvore Ìrókò, o Pai de todas as árvores. Mãe Nilzete e Bàbá Pecê passaram a fazer plantão nas escadarias do Terreiro, ao lado da árvore sagrada, lutando pela sua preservação, chegando mesmo a colocar-se em frente aos tratores para impedir a destruição da grande Árvore-Òrìsà.

Empenhados na defesa do Terreiro, recorreram a diversas instituições públicas como a Prefeitura Municipal de Salvador e a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. O carisma de Mãe Nilzete e o prestigio histórico da Casa de Òsùmàrè fizeram com que representantes de diversos segmentos sociais, lideranças políticas e religiosas se reunissem criando um grupo de defesa do Terreiro. Os esforços empreendidos por essa frente de defesa foram exitosos e o projeto de implantação da passarela foi alterado. O pleito vitorioso beneficiou não só a Casa de Òsùmàrè, mas também o Candomblé baiano, uma vez que a repercussão e os esforços contribuíram para que no ano seguinte a Constituição do Estado da Bahia dispusesse, em seu art. 275, os seguintes termos: “É dever do Estado preservar e garantir a integridade, a respeitabilidade e a permanência dos valores da religião afro-brasileira’’. A legislação atual também reconheceu oficialmente o Candomblé como religião.
Foi atuando nessa frente de defesa que Bàbá Pecê percebeu a importância de dialogar com o poder público e a sociedade para assegurar efetivamente o cumprimento dos direitos civis e da liberdade religiosa. Essa passagem sem dúvida foi o marco inicial na sua trajetória de luta em defesa do povo-de-santo, luta essa que permanece até os dias de hoje. Diante de todo o sofrimento pelo qual passou ao ver a Casa de Òsùmàrè ameaçada, e que consumiu também a saúde de sua Mãe, desejou então que ninguém mais passasse por tamanho pesar.
Em 1991, Bàbá Pecê, Sivanilton Encarnação da Mata, filho biológico de Mãe Nizete assume o Terreiro, contando com apoio das anciãs da Casa de Òsùmàrè, que tanto aguardavam a profecia de Ògún em seu nascimento. Bàbá Pecê nasceu no terreiro de Òsùmàrè, no dia da celebração de Òsùmàrè, quando veio à luz, o Òrísà Ògùn manifestado em sua avó o pegou nos braços e o apresentou para todos como futuro Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè. Bàbá Pecê com seu amor e carisma tornou-se uma referência de conduta sacerdotal por todo o território nacional e internacional. O reconhecimento de Bàbá Pecê no âmbito religioso e político veio de todo o trabalho por ele desempenhado para a promoção e defesa não só do povo-de-santo, mas também por proteger a infância, a comunidade negra e aqueles em situação de maior vulnerabilidade.

Já na gestão de Bàbá Pecê, a Casa de Òsùmàrè recebeu a visita de dois reis Yoruba: Sua Majestade Oba Alákétu Adiro Adétutu, Rei de Kétu e, recentemente, o Aláàfin de Oyo, Oba Àlàájì Lamidi Oláyiwolá Adéyemi III. Estes foram momentos ímpares em que a Mãe África reconheceu no Brasil a preservação de seus cultos, ritos e tradições, restabelecendo os vínculos de uma forma sem precedentes. Preocupado com a preservação da religião tradicional dos Òrísà no continente africano, Bàbá Pecê viajou até à Nigéria e ao Benin para resgatar alianças com as lideranças tradicionais e somar esforços internacionais na luta de nossos irmãos, que nos dias atuais também se encontram severamente ameaçados pela intolerância religiosa. A contínua batalha de Bàbá Pecê em prol da emancipação da religiosidade de matriz africana no Brasil e pela promoção do respeito mútuo entre as religiões tornaram a Casa de Òsùmàrè em uma referência nacional na luta pelos direitos humanos. Bàbá Pecê dedica sua vida a transmitir os valores da fé, do amor ao próximo e do respeito à natureza, defendendo veementemente a necessidade de semear a compaixão, a compreensão e a benevolência no coração dos homens, mulheres e crianças.

Em sua gestão reconhecimentos importantes foram conferidos a Casa de Òsùmàrè, em 15 de abril de 2002, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a Casa de Òsùmàrè como território cultural afro-brasileiro, atestando sua permanente contribuição para a preservação da história dos povos africanos no Brasil. Dois anos depois, em 15 de dezembro de 2004, foi registrado em livro de tombo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC como patrimônio material e imaterial do Estado. Em 9 de julho de 2014, a Casa de Òsùmàrè foi finalmente inscrita nos Livros de Tombo Histórico e no Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, como Patrimônio Nacional do Brasil.
Além de desenvolver atividades religiosas, a Casa de Òsùmàrè é ativamente engajada em projetos sociais e culturais, que contribuem para o desenvolvimento e inclusão das comunidades do seu entorno. Comprometida na luta contra o preconceito e a intolerância religiosa, possui um extenso histórico de realização de atividades e ações que visam a valorizar o legado cultural afro-brasileiro e garantir o direito de cada cidadão em professar livremente sua fé. Para melhor desempenhar estas funções, desde 1988, institucionalizou-se sob a denominação, Associação Cultural e Religiosa São Salvador.

Linha do Tempo

  • Final do século XVIII

    Final do século XVIII

    Tàlábí, fundador da casa de Òsùmàrè, chega ao Brasil.

    Tàlábí era oriundo da antiga cidade Kpeyin Vedji, localidade africana ao noroeste de Abomey, conhecida e respeitada pelo conglomerado de Sacerdotes do Culto à Sakpata (Ajúnsún).No final do século XVIII, com aproximadamente dez anos, foi encaminhado do Porto de Eko (atual cidade de Lagos, na Nigéria) para rumar ao Brasil, na condição de escravizado. Chegando a Bahia, Tàlábí foi comprado por Manoel José Ricardo, influente comerciante pernambucano, que vivia em concubinato com Umbelina Júlia de Carvalho.

    FOTO: Desembarque de africanos escravizados

  • Inicio do século XIX

    Inicio do século XIX

    Tàlábí foi batizado na Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia.

    Os senhores costumavam batizar seus escravos e dar-lhes nomes cristãos, um dos primeiros atos de negação da identidade étnico-cultural. Assim ocorreu com Tàlábí, que foi batizado na Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia, com o nome de Manoel Joaquim Ricardo. Contudo, mesmo sob a insígnia de um novo nome, Tàlábí nunca esqueceu sua origem.

    FOTO: Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Praia

  • Por volta de 1820

    Por volta de 1820

    Tàlábí inicia o culto a Ajúnsún no Calundu do Obítedò, em Cachoeira – Bahia.

    Após ter curado o seu senhor de uma grave enfermidade, Tàlábí passa a viver como liberto. A partir de 1820, reúne-se com outros negros e inicia, na Cidade de Cachoeira-BA, o culto a Ajúnsún no Calundu do Obítedò. Este local tornar-se-á a ascendência religiosa primordial da Casa de Òsùmàrè.

    FOTO: Calundu do Obítedò

  • 1830

    1830

    Tàlábí estabelece um comércio no Mercado de Santa Bárbara, em Salvador-Bahia.

    Em 1830, Tàlábí estabelece um comércio no Mercado de Santa Bárbara, em Salvador [BA], onde comercializava grãos, fumo, azeite de dendê, além da venda secreta de produtos para o culto aos Òrìsà. Já nesta época também realizava viagens constantes ao continente africano na busca de conhecimento religioso e produtos para manutenção do estabelecimento comercial.

    FOTO: Mercado de Santa Bárbara

     

  • 1836

    1836

    Para consolidar as bases do culto Ajúnsún, em 1836, Bàbá Tàlábí adquiri sua primeira propriedade, na rua do Sodré, em Salvador/BA, legando à Casa, a divindade Dan, dando origem a família Òsùmàrè.

  • 13 de outubro de 1845

    13 de outubro de 1845

    Na Cruz do Cosme, a  Casa de Osùmàré se consolida enquanto Templo Religioso.

    Em 13 de outubro de 1845, no mesmo mês que ocorriam as celebrações a Ajúnsún, no Calundu do Obítedò, Tàlábí adquire uma Roça no Bairro da Cruz do Cosme, atual Bairro da Caixa D' Água, em Salvador, transferindo Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògódò.

    FOTO: Casa de Òsùmàrè

  • Meados do século XIX

    Meados do século XIX

    O Bàbálòrìsà Tàlábí torna a Casa de Òsùmàrè uma instituição de resistência do povo negro na Bahia.

    Líder religioso visionário, Tàlábí criou uma espécie de irmandade, na qual cada filho de santo deveria trabalhar para comprar outros negros escravizados, agregando-os à família do Àse e difundindo o culto aos Òrìsà.

    FOTO: Bàbálòrìsà Tàlábí

  • Ainda em 1845

    Ainda em 1845

    Tàlábí inicia seu primeiro barco de ìyáwò.

    No mesmo ano em que fundou a Casa de Òsùmàrè, em 1845, Tàlábí inicia seu primeiro barco de ìyáwò: Salako, Antônio Maria Belchior, iniciado para o òrìsà Dadá; Obalekon, José Maria Belchior, iniciado para Ogodó; Lará, Maria da Encarnação, iniciada para Òsun. Três personagens que mais tarde exerceram papéis marcantes para a história do candomblé na Bahia.

    FOTO: Paramentos dos primeiros ìyáwò.

  • 1866

    1866

    Salako assume a Casa de Òsùmàrè com o apoio de seus irmãos de criação Olavo e Damázio.

    Por volta de 1860, Tàlábí delega aos filhos a missão de perpetuar o legado ancestral do culto aos Òrìsà fincados na Casa de Òsùmàrè, em razão da idade já avançada. Assim, a responsabilidade é atribuída a um triunvirato: Antônio Maria Belchior, Salako e seus dois filhos sanguíneos, Damásio Joaquim Ricardo, Doyin, iniciado para Ìbèjì, e Olavo Joaquim Ricardo, Salami, filho de Òsàlá. Alguns anos mais tarde, em 20 de junho de 1865, com aproximadamente 90 anos, Tàlábí segue para o òrun ao encontro dos Ancestrais.

    FOTO - Bàbálòrìsà Salako

  • Por volta de 1870

    Por volta de 1870

    a Casa de Òsùmàrè é transferida para a Rua da Lama, Salvador-Ba.

    Após o falecimento de Tàlábí, os bens - entre os quais se incluía a Casa da Cruz do Cosme - foram objeto de partilha entre seus herdeiros. Assim, para preservar o Culto aos òrìsà, Salako, Doyin e Salami transferem a Casa de Òsùmàrè para a Rua da Lama, Primeiro Distrito de Vitória – Salvador, Bahia.

    FOTO - Casa de Òsùmàrè

  • Década de 1880

    Década de 1880

    Salako conta com o apoio de Basília Juliana da Conceição (Tia Bá), na condução da Casa de Òsùmàrè.

    Para conduzir o Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògódò, transferido para Rua da Lama, e perpetuar os cultos e os àse, transferidos da Cruz do Cosme, Salako também contou como apoio de Basília Juliana da Conceição, conhecida como Tia Bá. Uma sacerdotisa africana, também liberta, mãe de Antônio Manoel Bomfim, que foi iniciado ao Òrìsà Òsùmàrè, aos sete anos de idade, pelo Babalòrìsà Salako recebendo o orukó, Danjemi, e sendo destinando a ser seu futuro sucessor.

    FOTO - Tia Bá

  • Final do séc. XIX

    Final do séc. XIX

    Antônio de Òsùmàrè, o futuro sucessor de Bàbá Salako, passa a assumir a Casa na ausência de seu Bàbálòrìsà.

    Antônio de Òsùmàrè era quem ficava à frente do terreiro e do estabelecimento comercial na ausência de seu sacerdote que em virtude de intensas atividades em Cachoeira, se ausentava periodicamente. Assim, com o passar do tempo, Antônio de Òsùmàrè,"Cobra Encantada", apelido pelo qual era chamado por seu Bàbálòrìsà, passa a ficar conhecido pela mesma alcunha de Salako: Antônio das Cobras.

    FOTO – Antônio de Òsùmàrè

  • Janeiro de 1904

    Janeiro de 1904

    O Bàbálòrìsà Salako falece na cidade de Cachoeira, é sepultado no jazigo da família Belchior, no cemitério dos Nagô, mas é imortalizado em histórias mitológicas.

    Após 41 anos à frente da Casa de Òsùmàrè, Antônio Maria Belchior, Bàbálòrìsà Salako, falece, em 14 de janeiro de 1904, na cidade de Cachoeira. Salako foi sepultado junto ao seu irmão, Obalekon, José Maria Belchior, conhecido como Zé do Brechó. Mas foi imortalizado em histórias e mitos, em razão do poder de sua magia, da capacidade de falar com as cobras e de se transformar em pássaro para voar até a África.

    FOTO - Jazigo da família Belchior

  • 1905

    1905

    ACasa de Òsùmàrè é transferida definitivamente para a região da Mata Escura, atual bairro da Federação, em Salvador-Ba.

    Com o falecimento de Salako, Antonio de Òsùmàrè assume o Terreiro. Em virtude das intensas perseguições e das fortes investidas policiais que sofria, transfere o Ilé Òsùmàrè Araká Àse Ògòdò, para a antiga região da Mata Escura, atual bairro da Federação, onde está localizada até os dias de hoje.

    FOTO: Casa de Òsùmàrè

  • Ainda em 1905

    Ainda em 1905

    O Bàbálòrìsà Antônio inicia suas primeiras filhas de Santo, dentre elas Maria das Mercês, iniciada para o òrìsà Yewá.

    Em 1905, o Bàbálòrìsà Antônio inicia suas primeiras filhas de Santo e adquire grande notoriedade como Sacerdote. Entre elas, Maria das Mercês, iniciada para o òrìsà Yewá, recebendo o orukó de Yewá Abiamo "Mãe de muitos filhos". A iniciação de Maria das Mercês, conhecida como Cotinha, teve grande repercussão entre as outras casas de Àse, pois, antes dela, não se tinha conhecimento de iniciação para este òrìsà no Brasil.

    FOTO: Òrìsà Yewá

  • Por volta de 1920

    Por volta de 1920

    Bàbálòrìsà Antônio constrói um altar católico dentro do terreiro para confundir a polícia da época.

    O Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè torna-se um dos mais conhecidos sacerdotes da Bahia. Com isso, a Casa de Òsùmàrè passa a ser alvo constante de ações intolerantes. Para resistir e preservar o culto aos Òrìsà, o Bàbálòrìsà Antônio constrói, dentro do terreiro, um altar católico, estratégia que foi eficientemente utilizada para confundir a polícia da época. Nos dias atuais foram substituídas as imagens de santos católicos por esculturas africanas de Òrìsà.

    FOTO: Altar católico da Casa Òsùmàrè

  • 1927

    1927

    Mãe Cotinha assume o cargo de Ìyálòrìsà, iniciando a era matriarcal na Casa de Òsùmàrè.

    Em 1927, aos 34 anos, após um ano de falecimento do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè, Maria das Mercês assume o cargo de Ìyálòrìsà. É a primeira mulher a ascender ao posto mais alto da Casa de Òsùmàrè, tornando-se conhecida como Mãe Cotinha de Yewá.

    FOTO: Ìyálòrìsà Cotinha

  • Década de 40

    Década de 40

    Ìyá Cotinha já havia iniciado mais de 50 filhas e filhos de santo, um número considerável para uma época de repressão ao candomblé.

    Durante a regência à frente da Casa, Mãe Cotinha de Yewá inicia uma grande número de filhos de santo contribuindo para a difusão do candomblé no Brasil. Muitas dos seus filhos e filhas se tornaram grandes Bàbálórìsà e Ìyálòrìsà, das quais são exemplo: Thomazia de Òsun e Teodora de Iyemojá, que fundaram casas de Àse no Rio de Janeiro; assim como, Bobo de Oya, em São Paulo e Margarida de Ògún, em Salvador.

    FOTO: Filhas de santo dançando

  • 1947

    1947

    Mãe Cotinha nomeia Maria Francelina de Jesus, como sua futura sucessora .

    Em 1947, prevendo sua partida para o Orùn, Mãe Cotinha consulta o jogo de búzios para saber quem se tornaria sua sucessora, os òrìsà revelam que será uma filha de Ògún. Mãe Cotinha designa o cargo à Maria Francelina de Jesus, a mais velha filha de Ògún da Casa.

    FOTO: Mãe Francelina

  • 21 de junho 1948

    21 de junho 1948

    Mãe Cotinha falece. Os mais antigos contam que neste dia o céu ficou cor de rosa, em sinal que Iyewá recebeu sua filha.

    Após o falecimento da Ìyálòrìsà Cotinha, Ìyá francelina assume o terreiro. Reconhecendo sua avançada idade, recorre aos Òrìsà para que eles indiquem quem assumiria o posto de Ìyálòrìsà, a escolhida por Yewá é Simpliciana Brasília da Encarnação, também filha de Ògún.

    FOTO: Crepúsculo

  • Final dos anos 40

    Final dos anos 40

    Simpliciana Brasília da Encarnação aceita seu destino.

    Simpliciana Brasília da Encarnação, Simplícia de Ògún como era conhecida, foi uma filha de santo muito presente e dedicada ao Àse. Desde os 9 anos de idade, conviveu com os mais antigos do terreiro por ser filha sanguínea de Maria das Neves, a primeira filha de santo do Bàbálòrìsà Antônio de Òsùmàrè. Seus elos ancestrais com a Casa de Òsùmàrè vão mais longe, remontam à fundação do terreiro: sua bisavó paterna, Maria da Encarnação, pertenceu ao primeiro barco de ìyáwò, de Bàbá Tàlábí.

    FOTO: Mãe Simplícia aos 34 anos

  • 1950

    1950

    Simpliciana Brasília da Encarnação se torna Ìyálòrìsà da Casa de Òsùmàrè.

    Em 1950, Simpliciana Basília da Encarnação assume o posto de Ìyálòrìsà da Casa de Òsùmàrè e se entrega por completo ao culto aos Òrìsà. Era, também, uma grande comerciante, possuindo depósito de carvão, vendia fato de boi, além de vender quitutes baianos em um tabuleiro.

    FOTO: Ìyálòrìsà Simplícia

  • Anos 50

    Anos 50

    As edificações da Casa de Òsùmàrè deixam de ser de taipa e adobes e passam a ser de alvenaria.

    Mãe Simplícia de Ògún trabalhou de forma abnegada para realizar as reformas necessárias na Casa de Òsùmàrè. Substituiu as paredes de adobe e taipa por alvenaria. O carisma e a postura de Mãe Simplícia de Ògún atraem intelectuais, artistas, antropólogos e, principalmente, pessoas que procuravam um conselho e carinho de mãe.

    FOTO: Casa de Òsùmàrè anos 50

  • 1952

    1952

    Ìyá Simplícia de Ògún reivindica, ao presidente Getúlio Vargas, a liberdade de culto para os povos de religiões de matrizes africanas.

    Mãe Simplícia, indignada com o sofrimento dos praticantes de religiões de matrizes africanas, tomou para si esta luta. Em 1952, no início de sua gestão na Casa de Òsùmàrè teve conhecimento que o presidente Getúlio Vargas, juntamente com sua comitiva, iria inaugurar o Grande Hotel Caldas do Cipó, no sertão da Bahia. Diante desta informação, articulou-se para realizar a recepção para o Presidente e denunciar as práticas violentas promovidas pela polícia da época contra as religiões de matriz africana.

    FOTO: Ìyá Simplícia e Getúlio Vargas

  • 1953

    1953

    Ìyá Simplícia realiza suas primeiras cerimônias públicas. A tradicional missa em louvor a N.Sra do Monte Serrat foi um dos rituais mais esperado.

    A tradicional missa de N.Sra do Monte Serrat antecede as cerimônias do mês de agosto da Casa de Òsùmàrè e oculta uma grande obrigação para o òrìsà Iyewá. É realizada desde a época do Bàbálòrìsà Antonio de Òsùmàrè e era muito esperada por Ìyá Simplícia e os Ogá de Yewà, Pai Urbano, Claudionor, Paizinho, que sempre estavam presentes vestidos elegantemente.

    FOTO: Integrantes do Terreiro na missa de N.Sra Monte Serrat

  • 1974

    1974

    Ìyá  Nilzete de Iyemojá assume o trono da Casa de Òsùmàrè.

    Iyá Simplícia de Ògún faleceu em 18 de setembro de 1967. Uma perda inestimável de uma das maiores Ìyálòrìsà do Brasil. Em 1974, sete anos após a sua morte, sua filha biológica Nilzete Austracliano da Encarnação – Nilzete de Iyemojá – assume a Casa de Òsùmàrè com a mesma garra e vitalidade de sua mãe.

    FOTO: Mãe Nilzete

  • Meados dos anos 70

    Meados dos anos 70

    Mãe Nilzete escreve seu nome com letras garrafais na historia  de luta e resistência da Casa de Òsùmàrè.

    Para preservar o espaço físico do terreiro, que na época estava sendo ocupado ilegalmente devido ao rápido desenvolvimento urbano, Ìyá Nilzete de Iyemojá luta incansavelmente e retoma a propriedade, assegurando seus limites territoriais.

    FOTO: Casa de Òsùmàrè, anos 70

  • Década de 70 e 80

    Década de 70 e 80

    Mãe Nilzete educa o jovem Sivanilton na hierarquia do candomblé, preparando-o para ser o futuro Bàbálòrìsà da Casa. 

    Ìyá Nilzete, ciente que seu filho Sivanilton Encarnação da Mata estava predestinado a ser o futuro Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, conforme havia determinado o Ògún da Ìyálòrìsà Simplícia, educa o jovem Pecê dentro da hierarquia do candomblé, transmitindo-lhe os ensinamentos necessários para que ele assumisse o cargo.

    FOTO: Bàbá com 13 anos, Ìyá Bete, Ìyá Tânia, Ìyá Walquíria

  • 1979

    1979

    Depois de muita luta para pagar os estudos de sua irmã,  Ìyá Nilzete, com muito orgulho, participa da formatura Maye Tânia de Òsóòsi.

    Ìyá Nilzete de Iyemojá se torna o esteio da família e da Casa de Òsùmàrè, assumindo a responsabilidade pelos seus familiares e por sua comunidade de Àse. Cuidou da educação de seus irmãos e, em 1979, tem a satisfação de presenciar a formatura de sua Irmã Tânia Bispo dos Santos, conhecida como Maye Tânia de Òsósi, em magistério.

    FOTO: Formatura de Maye Tânia

  • Anos 80

    Anos 80

    A árvore consagrada ao òrìsà Ìrókò possuía um tronco tão imenso que não podia ser abraçada por seis homens.

    Ìyá Nilzete de Iyemojá tinha Ìrókò como seu melhor amigo e todos os dias conversava com ele. Como a força do mar revolto, lutou contra a construção de uma passarela na Avenida Vasco da Gama que, no projeto original, invadia o terreno onde está localizado o Terreiro e seus principais símbolos religiosos e sagrados, como sua fonte de água, elemento essencial para o culto aos òrìsà e a árvore consagrada a Ìrókò.

    FOTO: Ìrókò

  • 1988

    1988

    Ìyá Nilzete de Iyemojá luta contra a construção de uma passarela na Vasco da Gama que, no seu projeto inicial, destruiria a fonte sagrada e a árvore consagrada a Ìrókò.

    Ìyá Nilzete de Iyemojá luta com toda sua força contra o governo municipal para impedir a destruição de elementos sagrados da Casa. Com seu prestígio, obtém apoio de políticos, intelectuais e líderes religiosos que se organizam em uma frente denominada "Frente de Defesa da Casa de Òsùmàrè". A luta é exitosa tendo como principais resultados a mudança do local da passarela e a constituição da "Associação Cultural e Religiosa São Salvador", entidade de utilidade pública estadual e municipal.

    FOTO: Hilário, Gilberto Gil, Ìyá Nilzete, Pedro Gama construindo a frente de defesa

  • 8 abril 1990

    8 abril 1990

    Nove dias depois do falecimento de Mãe Nilzete, Ìrókò tomba sentindo a perda da amiga.

    Em 30 de março de 1990, falece Ìyá Nilzete de Iyemojá deixando um legado de respeito, luta e resistência para sua comunidade. A perda ainda é muito sentida pelos seus filhos e filhas de santo. Nove dias após sua morte, Ìrókò desaba e interdita a Avenida Vasco da Gama por cerca de dois dias demonstrando a força de sua relação espiritual com Ìyá Nilzete de Iyemojá.

    FOTO: Ìrókò

  • 1991

    1991

    Bàbá Pecê assume a Casa de Òsùmàrè e inicia sua luta em defesa dos direitos dos povos de religiões de matriz africana.

    Um ano após o falecimento de sua mãe biológica, Ìyá Nilzete de Iyemojá, em 1991, Bàbá Pecê assume o cargo de Bàbálòrìsà da Casa de Òsùmàrè, com apoio da comunidade religiosa, em especial dos mais velhos. O início da gestão de Bàbá Pecê marcada por sua luta em busca do respeito e da liberdade religiosa das comunidades de matriz africana.

    FOTO: Bàbá Pecê em reunião com os mais antigos e amigos do terreiro

  • 1994

    1994

    Bàbá Pecê recebe Adiro Adetutu, 49º Rei de  Keto,  que manifestou sua admiração pelos cultos preservados na Casa de Òsùmàrè.

    A visita de Adiro Adetutu, 49º Rei de Keto, em 1994, à Casa de Òsùmàrè representa um especial momento de integração dos povos de religião de matriz africana e de fortalecimento da luta pelo respeito à liberdade religiosa. Nesta oportunidade, o Rei de Keto demonstra sua admiração pela preservação do culto aos òrìsà na Casa de Òsùmàrè e reconhece sua importância para preservação da história e cultura da Africana no Brasil. Em 15 de abril de 2002, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a Casa de Òsùmàrè como território cultural afro-brasileiro.

    FOTO: Visita do rei de Keto na Casa de Òsùmàrè

  • 5 novembro 2004

    5 novembro 2004

    A Casa de Casa de Òsùmàrè é tombada pelo IPAC através do Decreto n. 9.215.

    O tombamento da Casa de Òsùmàrè como patrimônio material e imaterial do Estado da Bahia simboliza o reconhecimento de sua história de luta e resistência em defesa do candomblé. Representa, ainda, o reconhecimento da importância da Casa de Òsùmàrè para a preservação da história e cultura da África, que tanto contribuíram para a construção da nação e do Estado Brasileiro.

    FOTO: Cerimônia de tombamento

  • 2005

    2005

    Idealizada por Bàbá Pecê, aconteceu a I Caminhada Pela Vida e Liberdade Religiosa.

    Em 2005, Bàbá Pecê idealizou e conduziu, em parceria com diversas entidades da sociedade civil, a "Primeira Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa". O evento reuniu aproximadamente 5 mil pessoas e consolidou um abraço simbólico no Dique do Tororó, espaço Sagrado para o povo do Àse.

    FOTO: I Caminhada pela vida e liberdade religiosa

  • Junho de 2013

    Junho de 2013

    Bàbá Pecê, acompanhado de sua comitiva visitou as principais cidades de culto aos òrisàs, na  Nigéria, neste intercâmbio cultural e religioso, teve a oportunidade de constatar que a Intolerância Religiosa ameaçava a perpetuação das religiões tradicionais.

    Assim, Bàbá Pecê ao retornar ao Brasil, inicia o trabalho de alertar os Governos sobre a importância da cultura e religiosidade africana para o mundo. 

    Foto: Expedição à África

  • Janeiro de 2014

    Janeiro de 2014

    Em grande comemoração, as mais altas lideranças religiosas, políticas, intelectuais e artistas participaram da cerimônia de reconhecimento da Casa de Òsùmáré, como Patrimônio Material e Imaterial Brasileiro, atestando assim, suas significantes contribuições para identidade cultural do País.

    Foto: Cerimônia da Casa de Òsùmàrè

  • Julho de 2014

    Julho de 2014

    Os mais altos sacerdotes da cidade de Oyo, Nigéria, hospedaram-se na Casa de Òsùmàrè, por cerca de dez dias.

    Nesta oportunidade Sua Majestade Real o Alàáfín de Oyo, presenteou Bàbá Pecê, com instrumentos litúrgicos, e recebeu Asé de Òsùmàrè, para garantir a preservação da cidade de Oyo.

    Foto: Recepção solene

  • Agosto de 2014

    Agosto de 2014

    A Policia Militar do Estado da Bahia, esteve oficialmente na Casa de Òsùmàrè, para conduzir o hasteamento de bandeiras, foi a primeira vez que a corporação realizou a cerimônia em um Terreiro. 

    A solenidade representou um marco para o Candomblé, pois também foi considerado um ato simbólico de reparação de uma época, que a polícia, em cumprimento das Leis, invadia os Terreiros para acabar com as manifestações religiosas de matriz africana.

    Foto: Hasteamento de Bandeiras Oficiais

  • Janeiro 2015

    Janeiro 2015

    Bàbá Pecê, representou os religiosos de matriz africana, na posse da Excelentíssima Presidenta da República,  Senhora  Dilma Rousseff, ao lado de importantes líderes religiosos de outros segmentos.

    Esta ação simbólica afirmou à laicidade do Brasil.

    Foto: Solenidade de Posse da Presidenta.

  • Nos dias atuais

    Nos dias atuais

    Bàbá Pecê lidera a Casa de Òsùmàrè até os dias atuais com a mesma dignidade e qualidades de seus antecessores.

    Bàbá Pecê perpetua o legado de seus ancestrais conduzindo a Casa de Òsùmàrè com a mesma garra, determinação e dignidade. Tem preservado, com extrema dedicação, as tradições e fundamentos da Casa de Òsùmàrè. Mantém viva a tradição de uma comunidade religiosa que é reconhecida como símbolo de resistência da cultura negra em nosso país. Seu olhar contempla a todos, não só aos seus filhos e filhas de santo. Sua bandeira de luta é a defesa da cultura e religiosidade africana e a união dos povos.

    FOTO: Bàbá Pecê

livro casa

Missão

Difundir e preservar o legado cultural e religioso afro-brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento das comunidades, com base na promoção da democracia, dos direitos humanos e na garantia do respeito inter-religioso.

Visão

Ser referência como centro de preservação e difusão da memória cultural de religiões afro-brasileiras, com excelência em gestão de projetos sócio educacionais para atender as demandas da sociedade.

Valores

  • Igualdade e justiça social;
  • Respeito à diversidade;
  • Cuidado e atenção a cada indivíduo, às comunidades e aos diversos grupos sociais;
  • Compromisso com as gerações futuras;
  • Respeito à natureza e ao meio ambiente;
  • Ética, integridade e transparência.