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Casa de Oxumarê aplica Ìjẹníyà Ìléjáde

Sexta, 20 Maio 2016

Casa de Oxumarê aplica Ìjẹníyà Ìléjáde

Terreiro ramificado é compulsoriamente desligado

No dia 16 de maio de 2016, o Babalorixá Pecê deliberou a aplicação do Ìjẹníyà Ìléjáde (pena de banimento) ao sacerdote do Ilé Àṣẹ Ọmọ Ọba Olóòkè ti Ẹ̀fọ̀n, Sr. Luís Sérgio Silvestre da Costa, Katy de Ọdẹ. Enquanto entidade jurídica pertencente à sociedade civil, a Casa de Oxumarê publicou o documento do banimento, pelo dever de transparência que tem perante a sociedade, tratando sua religiosidade com a devida dignidade e institucionalidade que merece. O referido documento também se tornou público com o objetivo de notificar futuros adeptos que buscam pela religiosidade praticada na Casa de Oxumarê, em Terreiros ramificados no estado de são Paulo, cidade onde está localizado o Terreiro desligado. A medida que possui rituais próprios, dentre eles a consulta oracular visando aprovação das divindades a respeito da aplicação da pena, seguiu todos os trâmites, sobre tudo, a tentativa de um diálogo para evitar que os dogmas e doutrinas fossem rompidos, motivos pelos quais levam a aplicação do Ìjẹníyà Ìléjáde.
De forma pioneira o Terreiro de Oxumarê, uma das Casas Matrizes do Candomblé, tomou uma atitude pública contra um ato de falta de ética religiosa e insubordinação. “Não vamos poupar esforços para fortalecer nossa espiritualidade, nossa ética e nossa moral. Sempre que necessário, agiremos com veemência em defesa da nossa religiosidade, da nossa ancestralidade e de nossos princípios. Ouço muitos candomblecistas reclamarem de que a nossa religião está perdendo a tradição, está sendo corrompida e que precisamos tomar uma atitude. Portanto, já está na hora de reagirmos. Não podemos conviver com tanto desrespeito para com nossa ancestralidade de forma passiva”, afirmou Bàbá Pecê.
A medida foi apoiada pelos religiosos tradicionais e conservadores do candomblé, lideranças de outros segmentos apontaram que este passo fortalece o candomblé enquanto religião institucionalizada e demostra para a sociedade a seriedade e hierarquia existente na Casa de Oxumarê. Em contrapartida, adeptos desconhecedores dos dogmas e doutrinas da Casa de Oxumarê e candomblecistas que se opõem a institucionalização e valorização da hierarquia do candomblé promoveram críticas contrarias a ação. “ As críticas são compreensivas pois a casa de Oxumarê através de seu babalorixá, Baba Pecê, engajou-se na luta pelo fortalecimento de nossas tradições religiosas, valorização dos ensinamentos ancestrais, combate a banalização, folclorização e comercialização de nosso candomblé. Um enfrentamento direto às ações que fomentam o preconceito e a intolerância religiosa, agressões que lesam profundamente nossos adeptos e desrespeitam a luta e resistência de nossos ancestrais, mas quem as promovem lucram com isso”, falou Bàbá Egbé Leandro.
O sacerdote banido continuará a exercer suas funções religiosas como babalorixá, visto que poderá seguir outra vertente do candomblé ligando-se a outra matriz ou suas ramificações. Bàbá Pecê não se opôs que os membros da comunidade mantivessem laços fraternos com o Sr. Katy, mas em consequência de seus atos foi compulsoriamente desligado da Casa de Oxumarê e desautorizado a apresentar-se como filho deste Àṣẹ. “Katy, não feriu a mim, ele se afastou dos dogmas e doutrinas de nosso Àṣẹ, se afastou do amor para com as divindades, principalmente do Orixá Sàngó, Ayra. Não quero que a comunidade se volte contra ele, muito pelo contrário que prestem apoio, aconselhamento religioso e até mesmo cuidados espirituais, o que não posso é ser é conivente com erros religiosos por ele cometido, que ele siga sua vida e se encontre em outra família de ase”, falou Bàbá Pecê.